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Matriz 9 box: como montar e usar na calibração

Equipe da TeamCulture
· 11 min de leitura
Matriz 9 box: como montar e usar na calibração

A matriz 9 box é uma grade de três por três que posiciona cada pessoa da empresa cruzando dois eixos: o desempenho, que mostra o que ela entregou no ciclo, e o potencial, que indica até onde ela pode crescer. O cruzamento gera nove quadrantes, e cada um pede uma ação diferente, como acelerar o desenvolvimento, preparar para a sucessão, ajustar a função ou fazer uma conversa franca sobre o resultado.

A ferramenta ficou conhecida por organizar, em uma única tela, as decisões de promoção, sucessão, mérito e PDI. Ela só funciona bem quando as notas que a alimentam são comparáveis entre os gestores, e é por isso que a matriz quase sempre aparece junto da calibração.

Os 9 quadrantes da matriz 9 box

Enigmapotencial alto, entrega baixaForte potencialpronto para crescerTalentoentrega e potencial altosQuestionávelprecisa de atençãoMantenedorentrega o esperadoForte desempenhoentrega acima do esperadoInsuficienteabaixo nos dois eixosEficazentrega, pouco potencialComprometidoentrega alta, potencial menorAltoMédioBaixoBaixoMédioAltoPotencialDesempenho
Potencial ↑
Enigma
Forte potencial
Talento
Questionável
Mantenedor
Forte desempenho
Insuficiente
Eficaz
Comprometido
Desempenho →
Matriz 9 box: desempenho no eixo horizontal, potencial no vertical. Os nomes dos quadrantes variam por empresa.

Os nomes dos quadrantes mudam de empresa para empresa. A tabela abaixo usa os nomes adotados neste guia, com desempenho no eixo horizontal e potencial no vertical.

QuadranteDesempenhoPotencialO que costuma indicarO que fazer
TalentoAltoAltoEntrega acima do esperado e mostra capacidade de assumir desafios maioresPlano de carreira, projetos de maior escopo e lugar no mapa de sucessão
Forte potencialMédioAltoEntrega o esperado e tem espaço para crescerDesafios novos, mentoria e PDI focado no que falta para o próximo passo
EnigmaBaixoAltoTem potencial, mas o resultado não apareceEntender a causa (função errada, chegada recente, falta de clareza nas metas) antes de qualquer decisão
Forte desempenhoAltoMédioEntrega acima do esperado na função atualReconhecimento, ampliação do escopo e desenvolvimento das competências que limitam o crescimento
MantenedorMédioMédioEntrega o que a função pede, de forma estávelFeedback frequente e PDI para fortalecer um ou dois pontos específicos
QuestionávelBaixoMédioResultado abaixo do esperado, com potencial moderadoMetas mais claras, acompanhamento próximo do gestor e prazo combinado para a evolução
ComprometidoAltoBaixoReferência técnica na função, com menos interesse ou perfil para crescer verticalmenteValorizar, reter e aproveitar como multiplicador do conhecimento
EficazMédioBaixoCumpre a função, sem sinais de crescimento no momentoManter na função, revisar o encaixe e oferecer desenvolvimento pontual
InsuficienteBaixoBaixoAbaixo do esperado nos dois eixosPlano de recuperação com prazo curto e, se não houver evolução, decisão sobre a permanência

Dois cuidados valem para todos os quadrantes. A posição vale para o ciclo avaliado e deve ser refeita no seguinte. Na conversa de feedback, a pessoa recebe o plano de ação, e o nome do quadrante fica restrito à gestão.

Vantagens e limites da matriz 9 box

A principal vantagem é colocar o time inteiro em uma única tela, com uma linguagem comum para gestores e RH. A matriz também liga o resultado da avaliação às decisões que vêm depois, como PDI, sucessão e retenção, e mostra rapidamente onde a empresa tem gente pronta para crescer e onde está exposta.

Os limites aparecem na qualidade do que entra. A matriz depende de notas comparáveis entre os gestores, e o eixo do potencial é o mais sujeito a impressões pessoais. As três faixas de cada eixo simplificam situações que pedem contexto, como a de alguém que acabou de mudar de área, voltou de licença ou assumiu uma liderança nova. E, sem cuidado na comunicação, o quadrante vira um rótulo que acompanha a pessoa por anos.

Como montar a matriz 9 box

1. Defina o eixo do desempenho

O desempenho responde ao que a pessoa entregou no ciclo. Ele costuma vir de duas fontes: as metas individuais ou do time, comparando o planejado com o realizado, e a avaliação de comportamentos e competências, feita pelo gestor ou em formato 360. Em Diferença entre performance e desempenho há um modelo que soma metas e comportamentos com pesos definidos com antecedência.

O ponto principal é decidir, antes de abrir a avaliação, como a nota final vira uma das três faixas do eixo: abaixo do esperado, dentro do esperado e acima do esperado. Sem esse critério escrito, cada gestor traça a linha em um lugar diferente.

2. Defina o eixo do potencial

O potencial é mais difícil de medir, porque fala do futuro. Os critérios mais usados são a agilidade de aprendizado (a velocidade com que a pessoa aprende com situações novas, o que muitas empresas chamam de learning agility), a capacidade de lidar com problemas mais complexos, a influência sobre os colegas e a aspiração de carreira.

A aspiração merece atenção à parte. Uma pessoa pode ter todas as condições para crescer e não querer mudar de área ou assumir uma liderança, e isso precisa aparecer na conversa antes de virar uma decisão de sucessão. No Grupo Boticário, cliente da TeamCulture, a autoavaliação do ciclo de gente traz um espaço para o colaborador registrar aspirações, áreas de interesse e vontade de movimentação, o que ajuda a cruzar as vagas internas com quem quer ocupá-las, conforme o time de Gestão de Talentos do grupo contou em live com a TeamCulture.

3. Escolha quem avalia cada eixo

Na maioria das empresas, o gestor direto dá a primeira nota nos dois eixos. Quando o trabalho depende de muitas pessoas, a avaliação 360 acrescenta o olhar dos pares, dos liderados e da própria pessoa, o que ajuda principalmente no eixo dos comportamentos. Defina também se o potencial vai ser avaliado por todos ou só por uma parte do público, como lideranças e posições-chave.

4. Gere a posição inicial e leve para a calibração

Com as duas notas em mãos, cada pessoa ganha uma posição inicial na grade. Essa primeira versão ainda reflete o critério de cada gestor, e a calibração existe para corrigir isso antes de qualquer decisão.

Funcionalidade · Relatórios de desempenho

A matriz 9 box montada pela avaliação, pronta para a calibração

  • 9-Box interativo com o resultado de cada pessoa
  • Resultado original ao lado do calibrado
  • PDI criado direto do relatório
Ver como funciona →
Matriz 9-Box nos relatórios de desempenho da TeamCulture

Como usar a matriz 9 box na calibração

A calibração é a reunião em que os líderes de uma área, mediados pelo RH ou pelo Business Partner, revisam juntos a posição das pessoas na matriz. O objetivo é que “acima do esperado” signifique a mesma coisa para todos os gestores e que as posições se sustentem com evidências.

Sinais de que a matriz está distorcida

  • Concentração em um canto. Uma área com quase todo o time em Talento e outra com quase todo o time em Mantenedor costumam indicar um gestor generoso e outro rigoroso, mais do que times muito diferentes.
  • A matriz não se parece com a empresa. Quando os líderes olham a distribuição e não reconhecem nela o time que conhecem por dentro, o problema costuma estar no modelo que gera a nota.
  • Limiares diferentes entre áreas. Se a nota que leva alguém a “acima do esperado” muda de uma área para outra, pessoas com entregas parecidas caem em quadrantes diferentes.
  • Peso desequilibrado entre os eixos. Quando o potencial é calculado em grande parte com as mesmas notas do desempenho, os dois eixos andam juntos e a matriz vira uma diagonal.
  • Posições sem evidência. Um gestor que não consegue sustentar a posição de alguém com um fato concreto precisa voltar com um exemplo antes de a posição ser mantida.

Como a curva e o comitê corrigem as distorções

Os dois caminhos mais usados podem ser combinados. O primeiro é o comitê de calibração: os líderes apresentam as posições do time, discutem os casos de discordância e ajustam com base em evidências. No Grupo Boticário, os comitês são puxados pelos Business Partners junto com a liderança, o grupo não usa curva forçada e trabalha com uma régua de avaliação de quatro estágios. Segundo o time de Gestão de Talentos, o foco da calibração por lá é dar mais insumo ao líder para a conversa de feed forward com o colaborador.

O segundo é corrigir o modelo que gera a nota, com um critério comum para todas as áreas. Foi o caminho do CPQD. Quando a distribuição de talentos deixou de se parecer com a empresa que as lideranças conhecem, o RH corrigiu quatro fontes de distorção no modelo de avaliação e implantou o que chama de Curva Ideal, para que a calibração passasse a rodar com um critério só. No webinar, o time explica por que mudar o peso entre os eixos muda quem aparece em cada quadrante e o que preparou com as lideranças para sustentar a curva.

Leandro TomazGestão de Desempenho, Clima e Cultura
Kelly SilvaAnalista de RH
Rafael BuenoCEO e fundador, teamculture.
Webinar ao vivo · 29/10, 16h · online e gratuito

IA na avaliação de desempenho: como o CPQD calibrou o modelo e implantou a Curva Ideal

O que muda no ciclo de avaliação quando a correção acontece no modelo por trás da nota, e não somente no formulário.

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Como conduzir a reunião

  1. Envie a matriz preliminar antes. Os líderes chegam com as posições do próprio time revisadas e com os exemplos que sustentam cada uma.
  2. Comece pelos extremos. As posições em Talento e em Insuficiente são as que mais pesam nas decisões e as que mais pedem evidência.
  3. Discuta cada pessoa a partir de exemplos. O mediador pede a cada gestor o exemplo que justifica a posição.
  4. Registre o motivo de cada ajuste. A justificativa escrita protege a decisão quando ela for questionada e mostra ao RH onde estão os vieses.
  5. Feche com as ações. Cada quadrante sai da reunião com o próximo passo combinado e um responsável.

Erros comuns na matriz 9 box

O primeiro erro é confundir potencial com desempenho. Quem entrega muito na função atual nem sempre tem perfil ou vontade de assumir uma posição maior, e quem está abaixo do esperado pode estar na função errada. Os quadrantes Comprometido e Enigma existem para separar essas situações.

O segundo é parar no desenho da grade. Se a posição não gera um PDI, uma conversa de carreira ou uma decisão de sucessão, a matriz não muda nenhuma decisão, e o próximo ciclo começa com menos adesão dos gestores.

Da matriz ao PDI e à sucessão

A coluna “O que fazer” da tabela vira, na prática, o PDI de cada pessoa, escrito junto com o gestor a partir das competências que a avaliação apontou. No Grupo Boticário, o PDI é obrigatório para quem precisa ocupar a cadeira por completo, com atividades mais curtas para que o líder consiga acompanhar de perto.

Na sucessão, a matriz mostra quem já está pronto para assumir uma posição-chave e quem pode estar pronto em um ou dois ciclos. Ela também mostra onde a empresa está exposta: uma posição crítica sem ninguém nos quadrantes de cima é um risco que precisa entrar no planejamento de gestão de talentos.

A matriz ajuda ainda a priorizar a retenção. As pessoas em Talento, Forte potencial e Comprometido são as que a empresa menos quer perder, e acompanhar o engajamento e as conversas de carreira desse grupo é uma das frentes mais diretas de retenção de talentos.

Como a TeamCulture usa a matriz 9 box

Na TeamCulture, a matriz fica no módulo de Gestão de Talentos e é montada a partir da própria avaliação de desempenho. A avaliação gera a posição inicial de cada pessoa, e nos relatórios de desempenho o gestor ou o RH arrasta a pessoa entre os quadrantes durante a calibração. Cada movimentação exige uma justificativa registrada, e o histórico de posições fica salvo para consulta futura.

O relatório mostra lado a lado o resultado original da avaliação e o resultado calibrado, o que ajuda o RH a enxergar onde os ajustes se concentram. A partir dos gaps do relatório, o colaborador e o gestor criam o PDI direto na plataforma, com a mesma linguagem de competências da avaliação.

Perguntas frequentes

Quem criou a matriz 9 box?

A matriz é atribuída à McKinsey, que a desenvolveu para a General Electric como uma ferramenta de portfólio de negócios. Depois ela foi adaptada pelas áreas de RH para mapear desempenho e potencial das pessoas.

Qual é o melhor quadrante da matriz 9 box?

O canto superior direito, com desempenho e potencial altos, chamado de Talento neste guia. Ele reúne as pessoas mais preparadas para posições maiores, mas todos os quadrantes têm um papel, e uma empresa saudável precisa também de pessoas estáveis e de referências técnicas.

Com que frequência atualizar a matriz?

A cada ciclo de avaliação, que na maioria das empresas é anual ou semestral. Entre os ciclos, as conversas de feedback e o acompanhamento do PDI mostram se a pessoa está evoluindo como o esperado.

O colaborador deve saber em qual quadrante está?

Depende da política da empresa. O mais comum é compartilhar o resultado da avaliação e o plano de desenvolvimento, e deixar o nome do quadrante restrito aos gestores e ao RH, para evitar que ele funcione como rótulo.

A matriz 9 box precisa de curva forçada?

Não. A curva é uma das formas de corrigir as diferenças entre gestores, e o comitê de calibração é outra. A escolha depende de quanto as notas variam entre as áreas.

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