PDI: modelo pronto de plano de desenvolvimento individual
PDI, ou Plano de Desenvolvimento Individual, é o documento em que a pessoa registra, junto com o gestor, quais competências vai desenvolver, com que metas e prazos, por meio de quais ações, com que recursos e como a evolução vai ser medida. Ele parte de um diagnóstico, em geral a avaliação de desempenho e os feedbacks do ciclo, e só gera resultado quando o líder acompanha o plano nas conversas do dia a dia.
Abaixo estão um modelo pronto, exemplos por cargo, o passo a passo e a rotina de acompanhamento do líder. A definição curta e os componentes também estão no verbete PDI do glossário.
O que é PDI e para que serve
O PDI organiza o desenvolvimento de uma pessoa em um período definido, que costuma ir de seis meses a um ano. A avaliação de desempenho olha para o que já aconteceu; o PDI olha para frente e transforma os pontos levantados na avaliação em ações que cabem na rotina de trabalho.
Para o colaborador, o plano dá clareza sobre o que desenvolver e torna o crescimento na carreira mais concreto. Para a empresa, direciona o investimento em treinamento para as competências de que o negócio precisa e ajuda a reter quem enxerga um caminho dentro de casa. Para o líder, o PDI dá estrutura às conversas de desenvolvimento e cria compromissos dos dois lados.
Componentes de um PDI
Um PDI completo tem cinco partes, as mesmas descritas no glossário.
| Componente | O que registrar | Exemplo |
|---|---|---|
| Competências a desenvolver | Técnicas e comportamentais, tiradas do diagnóstico | Negociação; dar feedback ao time |
| Metas com prazo | O que a pessoa precisa alcançar em cada competência e até quando | Conduzir sozinho três negociações de renovação até junho |
| Ações de desenvolvimento | Cursos, mentorias, projetos especiais, leituras e prática no trabalho | Workshop de negociação e acompanhar as reuniões de um vendedor sênior |
| Recursos necessários | Tempo, orçamento e apoio do gestor para as ações acontecerem | Quatro horas por mês reservadas na agenda e inscrição no curso |
| Métricas de acompanhamento | Como a evolução vai ser medida ao longo do ciclo | Taxa de renovação da carteira e nota da competência na próxima avaliação |
Modelo de PDI pronto para copiar
O modelo abaixo funciona em uma planilha ou em um documento. Cada linha do plano corresponde a uma competência, e o ideal é ter de duas a quatro linhas por ciclo.
Cabeçalho do PDI
| Campo | O que preencher |
|---|---|
| Nome e cargo | Nome completo e cargo atual |
| Gestor | Quem acompanha o plano |
| Ciclo | Período do PDI, por exemplo, de janeiro a junho |
| Origem do diagnóstico | Avaliação de desempenho, avaliação 360, feedbacks, aspirações de carreira |
| Datas de revisão | Check-ins quinzenais no one on one, revisão mensal das métricas e revisão completa no fim de cada trimestre |
Plano de desenvolvimento
| Competência | Meta com prazo | Ações | Recursos | Métrica | Status |
|---|---|---|---|---|---|
| Técnica ou comportamental, vinda do diagnóstico | O que alcançar e até quando | Duas ou mais ações de tipos diferentes | Tempo, orçamento e apoio | Como a evolução vai ser medida | A fazer, fazendo ou feito |
Como fazer um PDI passo a passo
1. Faça o diagnóstico
O PDI começa com dados. As fontes mais usadas são a avaliação de desempenho, que mostra as competências abaixo do esperado; a avaliação 360, que revela a diferença entre a autoavaliação e a percepção dos colegas; o feedback do líder sobre o dia a dia; os requisitos do cargo atual ou do próximo; e as aspirações de carreira da própria pessoa. Combinar fontes evita planos genéricos.
Separe as competências entre técnicas, como aprender uma ferramenta de análise de dados, e comportamentais, como melhorar a comunicação com outras áreas.
2. Escolha de duas a quatro competências
Mais de quatro competências por ciclo costuma dividir demais o tempo da pessoa, e nenhuma evolui de fato. Priorize o que tem mais efeito no cargo atual ou no próximo passo de carreira, e considere incluir uma competência forte que vale potencializar, além das que precisam melhorar.
3. Escreva metas SMART
Cada meta deve ser específica, mensurável, atingível, relevante e com prazo. “Melhorar a comunicação” é um desejo; “conduzir a reunião semanal do time com pauta enviada um dia antes, a partir de março” é uma meta que dá para acompanhar. Outro exemplo: “participar de um curso de liderança até o fim do trimestre e aplicar o que aprendeu nas reuniões de equipe”.
4. Defina ações de tipos diferentes
Para cada meta, liste pelo menos duas ações, de formatos diferentes:
| Tipo de ação | Exemplos |
|---|---|
| Aprendizado prático | Projeto desafiador, job rotation, acompanhar um colega mais experiente |
| Aprendizado com outras pessoas | Mentoria interna ou externa, feedback pedido sobre o comportamento que está sendo trabalhado |
| Aprendizado formal | Curso, certificação, leitura dirigida |
Uma referência comum para equilibrar esses formatos é o modelo 70-20-10: cerca de 70% do aprendizado vem da prática, 20% da troca com outras pessoas e 10% de cursos e leituras. Ele serve como orientação, sem obrigação de seguir a proporção à risca.
5. Combine recursos e prazos
Cada ação precisa de uma data e de um recurso definido: horas reservadas na agenda, orçamento para o curso, nome do mentor. É nesse passo que o gestor assume a parte dele do compromisso, porque boa parte dos recursos depende da liberação dele.
6. Marque as revisões
Antes de fechar o documento, coloque na agenda as datas de check-in e de revisão. O PDI que sai da reunião de criação sem a próxima conversa marcada tende a ser esquecido.
Exemplos de PDI por cargo
As competências mudam conforme o nível do cargo. O que se espera de liderança de um estagiário é diferente do que se espera de um gerente, e o plano precisa refletir isso.
Executivo de vendas
| Competência | Meta com prazo | Ações | Métrica |
|---|---|---|---|
| Negociação | Aumentar a taxa de fechamento de 20% para 25% em 2 meses | Workshop de vendas e acompanhar negociações de um vendedor sênior | Taxa de fechamento do bimestre |
| Uso do CRM | Registrar todas as oportunidades com os campos completos em 1 mês | Curso do CRM usado pela empresa | Erros e campos vazios no sistema |
| Liderança, de olho em uma promoção | Ser mentor de um vendedor recém-contratado por 6 meses | Mentoria interna e conversas quinzenais com o próprio gestor | Avaliação do mentorado e do gestor |
Analista
| Competência | Meta com prazo | Ações | Métrica |
|---|---|---|---|
| Análise de dados | Montar o relatório mensal da área em Power BI em 3 meses | Curso online e prática com os dados internos | Relatório publicado e usado na reunião mensal |
| Comunicação | Apresentar os resultados da área sem apoio do gestor em 2 meses | Curso de oratória e ensaio com o gestor antes das primeiras apresentações | Feedback dos participantes da reunião |
Coordenador recém-promovido
O PDI de quem acabou de assumir um time costuma concentrar as competências de gestão de pessoas.
| Competência | Meta com prazo | Ações | Métrica |
|---|---|---|---|
| Dar feedback | Fazer conversas individuais quinzenais com cada pessoa do time a partir do primeiro mês | Leitura sobre feedback, prática nas conversas e pedido de retorno ao próprio gestor | Nota da competência na próxima avaliação 360 |
| Delegação | Distribuir as entregas do time sem concentrar tarefas operacionais em 3 meses | Mentoria com um gerente experiente | Horas do coordenador em tarefas operacionais |
| Gestão por metas | Definir com o time os KRs do próximo trimestre | Participar do planejamento de OKRs da área | KRs definidos e acompanhados no trimestre |
Pessoa recém-efetivada
Na avaliação de período de experiência, os pontos a desenvolver viram as primeiras linhas do PDI, e a pessoa entra no ciclo de avaliação da empresa já com metas claras.
| Competência | Meta com prazo | Ações | Métrica |
|---|---|---|---|
| Organização das entregas, apontada na avaliação de experiência | Entregar as tarefas da semana no prazo combinado nos 3 meses seguintes à efetivação | Planejamento semanal com o gestor e acompanhar um colega experiente | Entregas no prazo por mês |
Pessoa com desempenho abaixo do esperado
Quando o desempenho está aquém do cargo, algumas empresas tornam o PDI obrigatório. Nesse caso, o plano funciona melhor com ações mais curtas, de poucas semanas cada, para o líder acompanhar de perto e ajustar rápido. É o que faz o Grupo Boticário, cliente da TeamCulture há mais de três anos. Em uma live com a TeamCulture, Madá (Maria Daniel) e Paola Alberton, do time de Gestão de Talentos do grupo, contaram que o PDI é obrigatório para quem precisa ocupar o cargo por inteiro, com ações curtas e o líder mais perto.
Como o líder acompanha o PDI
Sem acompanhamento, o plano fica no papel. Uma rotina que cabe na agenda de qualquer gestor:
| Ritual | Frequência | Quem participa | O que olhar |
|---|---|---|---|
| Check-in no one on one | Quinzenal | Líder e colaborador | Ações da quinzena e o que está travando |
| Revisão de progresso | Mensal | Líder e colaborador | Métricas, status das ações e ajustes |
| Revisão completa | Trimestral | Líder, colaborador e RH, se fizer sentido | Metas, prioridades novas e próximo ciclo |
No Grupo Boticário, além das reuniões individuais semanais, os líderes reservam uma agenda bimestral só para falar de desenvolvimento, carreira e PDI.
Em cada revisão, vale passar por quatro pontos: quais ações foram feitas, o que está dando resultado, o que precisa ser ajustado e se surgiu alguma prioridade nova. O PDI entra como pauta fixa da reunião one on one, e o feedback dado durante o ciclo deve falar das competências do plano, com exemplos concretos. Em Como dar feedbacks há modelos para essas conversas.
Papéis do colaborador, do líder e do RH
| Responsabilidade | Colaborador | Líder | RH |
|---|---|---|---|
| Montar o plano e manter atualizado | Principal | Orienta | Define o modelo |
| Acompanhar o progresso | Atualiza o status | Conduz os check-ins | Monitora os indicadores |
| Dar e pedir feedback | Pede ao líder e aos colegas | Dá com frequência | Capacita os líderes |
| Garantir recursos | Solicita | Libera tempo e aprova | Viabiliza cursos e trilhas |
O dono do plano é o colaborador: se o líder assume o PDI, a pessoa fica passiva, e se o RH centraliza, o líder deixa de acompanhar. Na live, Madá explicou a escolha do Grupo Boticário: “O PDI é de responsabilidade do colaborador (…). Para que não recaia sobre o líder ou até mesmo RH o papel de desenvolver os colaboradores.”
Como ligar o PDI à avaliação de desempenho
- Avaliar competências e metas
- Identificar o que desenvolver
- Montar o PDI com o líder
- Acompanhar check-ins e feedback
- Medir a evolução no ciclo seguinte
A avaliação identifica as competências que precisam evoluir, o PDI define o que fazer com elas, os check-ins sustentam a execução e a avaliação seguinte mostra se houve evolução.
A avaliação e o PDI precisam usar a mesma linguagem: se a avaliação mede “comunicação com outras áreas”, o plano trabalha essa competência com o mesmo nome. Muitas empresas avaliam o resultado por metas e o comportamento por competências, e as duas leituras alimentam o plano. A diferença entre performance e desempenho explica como separar essas partes na avaliação.
O plano de desenvolvimento nasce do relatório e é acompanhado no mesmo lugar
- PDI criado direto do relatório de desempenho
- Quadro a fazer, fazendo e feito
- Visão do time com filtros e indicadores de progresso

Por que muitos PDIs são esquecidos
Metas vagas. Sem clareza sobre o que mudar, como medir e em quanto tempo, o plano não gera ação.
Plano desconectado da rotina. O PDI criado uma vez por ano, em uma reunião formal, não resiste às demandas do dia a dia se as ações não fizerem parte do trabalho real.
Falta de acompanhamento. A maior parte do trabalho vem depois de criar o PDI: sem check-ins e revisões marcados, o plano para na primeira semana corrida.
Responsabilidade confusa. Quando ninguém sabe se o dono é o colaborador, o líder ou o RH, ninguém acompanha.
O PDI está funcionando quando o colaborador sabe dizer as metas do próprio plano, o líder fala dele nos one on ones sem ser lembrado e a próxima avaliação mostra evolução nas competências trabalhadas.
PDI na TeamCulture
No módulo de Gestão de Talentos da TeamCulture, o PDI é criado a partir do resultado da avaliação. Direto do relatório de desempenho, o gestor ou o RH abre um plano ligado à competência avaliada, com título, descrição, prazo e indicadores de progresso. As tarefas andam em um quadro com as colunas a fazer, fazendo e feito, e o gestor vê os planos de todo o time em um só lugar, com filtros por pessoa e por status. O colaborador também pode criar planos por conta própria, fora do ciclo de avaliação.
O Grupo Boticário, com mais de 15 mil colaboradores na plataforma, usa esse caminho. Segundo Madá e Paola, as competências avaliadas no ciclo de gente são levadas para o PDI, o colaborador monta o plano a partir delas e o líder acompanha os planos do time na mesma ferramenta. Para Paola, a avaliação de performance é o insight para o desenvolvimento.
Planos de desenvolvimento que saem da avaliação e são acompanhados
Cada PDI nasce do resultado da avaliação, com indicadores de progresso que a pessoa e o gestor acompanham juntos.
Conheça os PDIs da TeamCulture →
Perguntas frequentes
O que significa PDI?
PDI é a sigla de Plano de Desenvolvimento Individual. Em inglês, o mesmo documento é chamado de IDP, Individual Development Plan.
Qual é uma das orientações para elaborar um PDI eficaz?
Partir de um diagnóstico concreto, como o resultado da avaliação de desempenho e os feedbacks recebidos, e limitar o plano a poucas competências, cada uma com meta mensurável, prazo e pelo menos duas ações. Outra orientação importante é marcar as revisões com o líder no mesmo dia em que o plano é criado.
Quem é o responsável pelo PDI?
O colaborador é o dono do plano: monta, executa e atualiza. O líder orienta, libera recursos e acompanha nos check-ins. O RH define o modelo, oferece as trilhas e acompanha os indicadores da empresa.
De quanto em quanto tempo o PDI deve ser revisado?
Uma rotina comum é o check-in quinzenal no one on one, uma revisão mensal das métricas e uma revisão completa a cada trimestre. O ciclo inteiro costuma durar de seis meses a um ano.
O que colocar no PDI de um líder?
As competências de gestão de pessoas que o cargo exige, como dar feedback, delegar, conduzir o time por metas e desenvolver outras pessoas. O exemplo do coordenador recém-promovido, mais acima, mostra um plano preenchido.
Qual a diferença entre PDI e avaliação de desempenho?
A avaliação mede o que a pessoa entregou e como se comportou no ciclo que passou. O PDI usa esse resultado para planejar o desenvolvimento do ciclo seguinte. O plano depende da avaliação para saber o que trabalhar, e a avaliação depende do plano para virar desenvolvimento.
Para se aprofundar
- “Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações”, de Idalberto Chiavenato, sobre o papel do desenvolvimento contínuo nas empresas.
- “The Talent Code”, de Daniel Coyle, sobre como o talento é desenvolvido com prática deliberada.
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