Gravação disponível · Webinar com o CPQD Como o CPQD calibrou a avaliação de desempenho e implantou a Curva Ideal Gratuita e online Gravação disponível · Webinar com o CPQD Como o CPQD calibrou a avaliação de desempenho e implantou a Curva Ideal Gratuita e online
Assistir à gravação

Absenteísmo: o que é, como calcular a taxa e como reduzir

Equipe da TeamCulture
· 11 min de leitura
Absenteísmo: o que é, como calcular a taxa e como reduzir

Absenteísmo é o conjunto das ausências de colaboradores no horário em que deveriam estar trabalhando. Entram nessa conta as faltas, com ou sem justificativa, os atrasos, as saídas antecipadas e os afastamentos por doença. A taxa de absenteísmo mostra quanto do tempo de trabalho planejado foi perdido com essas ausências e é calculada dividindo as horas perdidas pelas horas planejadas e multiplicando o resultado por 100.

Acompanhado mês a mês e aberto por área, o indicador ajuda o RH a perceber problemas de saúde, de sobrecarga, de clima e de liderança antes que eles apareçam no turnover. Este guia explica os tipos de absenteísmo, as faltas que a lei considera justificadas, a fórmula com exemplo calculado, as causas mais comuns e o que fazer para reduzir as ausências.

Tipos de absenteísmo

As ausências costumam ser separadas pela causa e pelo tipo de registro, porque cada uma pede uma ação diferente. Uma falta prevista em lei não é tratada como problema de conduta, e uma série de atestados em uma mesma equipe pede uma conversa sobre as condições de trabalho daquele time.

TipoO que éExemplo
JustificadoAusência amparada por lei, por acordo coletivo ou aceita pela empresaAtestado médico, casamento, falecimento de familiar, doação de sangue
InjustificadoAusência sem motivo aceito ou sem comprovaçãoFalta sem aviso e sem atestado
ParcialParte da jornada perdidaAtrasos e saídas antes do fim do expediente
Por afastamentoAusência longa por doença ou acidenteLicença médica de várias semanas
PresenteísmoA pessoa está presente, mas sem condições de renderTrabalhar doente, exausto ou preocupado com problemas que não consegue resolver

O presenteísmo não aparece na taxa, já que a pessoa marcou o ponto, mas costuma andar junto com o absenteísmo. Quem trabalha doente por medo de faltar pode demorar mais para se recuperar e acabar se ausentando depois por mais tempo. Por isso, muitas empresas olham para os dois temas juntos quando analisam saúde e bem-estar.

Faltas justificadas pela CLT

O artigo 473 da CLT lista as situações em que o empregado pode deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário. Os casos mais comuns no dia a dia do RH estão na tabela abaixo, conforme o texto publicado no portal do Planalto.

SituaçãoPrazo previsto no art. 473 da CLT
Falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão ou dependente declarado na carteiraAté 2 dias consecutivos
CasamentoAté 3 dias consecutivos
Nascimento de filho, adoção ou guarda compartilhada5 dias consecutivos
Doação voluntária de sangue comprovada1 dia a cada 12 meses de trabalho
Alistamento eleitoralAté 2 dias, consecutivos ou não
Provas de vestibular para ingresso no ensino superiorNos dias das provas, com comprovação
Comparecimento a juízoPelo tempo necessário
Acompanhar esposa ou companheira em consultas e exames durante a gravidezPelo tempo necessário, em até 6 consultas
Acompanhar filho de até 6 anos em consulta médica1 dia por ano
Exames preventivos de câncer comprovadosAté 3 dias a cada 12 meses de trabalho

A doença do empregado, devidamente comprovada, também é motivo justificado de ausência, conforme o artigo 6º da Lei nº 605/1949, que trata do repouso semanal remunerado. Nos afastamentos por doença, a Lei nº 8.213/1991 determina que a empresa pague o salário integral nos primeiros 15 dias consecutivos, e o benefício previdenciário passa a ser devido a partir do 16º dia.

Convenções e acordos coletivos podem prever outras situações, por isso vale conferir o documento da categoria antes de montar a política de faltas. Para casos específicos, a orientação do jurídico da empresa continua sendo o caminho mais seguro.

Como calcular a taxa de absenteísmo

A fórmula mais usada compara as horas perdidas com as horas que a equipe deveria ter trabalhado no período:

Taxa de absenteísmo = (horas perdidas com ausências ÷ horas de trabalho planejadas) × 100

As horas planejadas são o número de colaboradores multiplicado pela jornada prevista no período. Férias, folgas da escala e licenças programadas ficam fora das duas pontas da conta, porque já estavam previstas. Faltas, atrasos, saídas antecipadas e atestados entram nas horas perdidas.

Exemplo de cálculo

Uma empresa com 200 colaboradores, jornada de 8 horas e 22 dias úteis no mês tem 35.200 horas planejadas (200 × 8 × 22). No mês, ela registrou 520 horas de atestados, 240 horas de faltas sem justificativa e 120 horas de atrasos e saídas antecipadas, somando 880 horas perdidas.

Taxa de absenteísmo = (880 ÷ 35.200) × 100 = 2,5%

Se 10 pessoas estivessem de férias o mês inteiro, elas sairiam da conta, e as horas planejadas passariam a ser 33.440 (190 × 8 × 22). A taxa, com as mesmas 880 horas perdidas, subiria para cerca de 2,6%.

Também é possível fazer a conta em dias, o que é útil quando o ponto não registra atrasos: dias perdidos ÷ (média de colaboradores × dias úteis) × 100. No exemplo, as 880 horas equivalem a 110 dias de 8 horas, e 110 ÷ (200 × 22) × 100 também resulta em 2,5%.

Abra o número por área

A taxa geral esconde onde está o problema. No mesmo exemplo, a divisão por área mostra que a operação concentra a maior parte das horas perdidas:

ÁreaPessoasHoras planejadasHoras perdidasTaxa
Operação12021.1206343,0%
Comercial508.8001581,8%
Administrativo305.280881,7%
Total20035.2008802,5%

Com a taxa da operação acima da média, o passo seguinte é abrir o número por equipe, por gestor e por tipo de ausência. Um time com muitos atestados curtos, concentrados em segundas e sextas ou depois de picos de demanda, conta uma história diferente de um time com um único afastamento longo. Muitas empresas, aliás, acompanham os afastamentos longos em um indicador separado, para que um caso isolado não distorça a leitura do mês. Cruzar o absenteísmo com o engajamento e o turnover de cada equipe é um dos primeiros exercícios de people analytics que o RH consegue fazer com os dados que já tem.

O absenteísmo costuma entrar no painel mensal de indicadores do RH ao lado do turnover e do headcount. Em KPIs de RH estão as fórmulas dos outros indicadores e como montar esse acompanhamento.

Qual é uma taxa de absenteísmo aceitável

Não existe uma taxa oficial de referência no Brasil, e o número varia bastante entre setores, regiões, tipos de jornada e formas de registro. A comparação mais útil é com o histórico da própria empresa e entre áreas parecidas. Uma alta de um mês para o outro, uma área muito acima das demais ou o mesmo gestor aparecendo sempre no topo da lista dizem mais do que qualquer média de mercado.

Principais causas do absenteísmo

As causas raramente aparecem sozinhas. Uma pessoa sobrecarregada adoece mais, e um conflito com o gestor pode virar desmotivação e, depois, faltas. As mais comuns são:

  • Problemas de saúde física, como doenças, lesões e dores ligadas à ergonomia do posto de trabalho.
  • Saúde mental, com estresse, ansiedade, depressão e esgotamento.
  • Sobrecarga de trabalho, metas que dependem de horas extras frequentes e pausas que não acontecem.
  • Relação com a liderança, quando falta apoio, sobra cobrança sem orientação ou há assédio.
  • Conflitos na equipe que ninguém media.
  • Desmotivação e baixo engajamento, quando a pessoa não vê sentido no trabalho, não é reconhecida ou não enxerga crescimento.
  • Questões pessoais e familiares, como cuidado com filhos ou parentes doentes, deslocamento longo e problemas financeiros.
  • Falta de flexibilidade, que faz uma consulta médica ou uma questão da escola dos filhos virar uma falta de dia inteiro.

Parte dessas causas está fora do alcance da empresa, mas boa parte nasce na forma como o trabalho é organizado e liderado. É nessa parte que o RH consegue agir.

Impactos do absenteísmo na empresa

O custo mais visível é o das horas pagas e não trabalhadas, que inclui os primeiros 15 dias dos afastamentos por doença. Há também custos menos visíveis: horas extras e temporários para cobrir quem faltou, atrasos em entregas, queda de qualidade e de atendimento quando a equipe trabalha desfalcada.

O efeito sobre quem fica também pesa. Quando as ausências se repetem em um time, os colegas absorvem o trabalho, ficam sobrecarregados e passam a faltar mais, em um ciclo que costuma terminar em pedidos de demissão. Por isso o absenteísmo alto em uma área é, muitas vezes, um sinal antecipado de turnover.

A relação com o engajamento aparece nas pesquisas internacionais. Na meta-análise Q12 da Gallup (11ª edição, 2024), que reuniu dados de 183.806 equipes em 347 organizações, as equipes do quartil mais engajado tiveram absenteísmo 78% menor do que as do quartil menos engajado, na diferença mediana.

Absenteísmo, saúde mental e NR-1

Desde 26 de maio de 2026, a NR-1 diz de forma expressa que o gerenciamento de riscos ocupacionais deve incluir os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, como sobrecarga, falta de apoio, baixa clareza de papel e assédio. Esses são os mesmos fatores que aparecem por trás de muitos atestados e afastamentos.

Na prática, o absenteísmo e os afastamentos por transtornos mentais estão entre os dados que a empresa já tem e que ajudam a decidir onde aprofundar a avaliação dos riscos psicossociais. A taxa sozinha, porém, só mostra que algo está acontecendo. Para entender o motivo, é preciso ouvir as equipes sobre ritmo de trabalho, apoio da liderança, reconhecimento e relações no time. O passo a passo da adequação está em NR-1 e riscos psicossociais.

Como reduzir o absenteísmo

Registre bemTipo de ausência, área, gestor e motivo, com o mesmo critério em toda a empresa.
Encontre os focosTaxa por área, por equipe e por tipo, comparada ao histórico.
Ouça as equipesPesquisa frequente e conversas para entender o motivo.
Aja na causaPlano com responsável, prazo e indicador de partida.
AcompanheTaxa e resultado da pesquisa lado a lado, mês a mês.
Cinco etapas para reduzir o absenteísmo, do registro das ausências ao acompanhamento das ações

Registre as ausências com o mesmo critério. Sem um registro padronizado do tipo de ausência e do motivo, cada área conta de um jeito e a comparação perde sentido. Defina o que entra em cada categoria e quem registra.

Encontre onde o problema se concentra. A taxa por área e por equipe, comparada com os meses anteriores, mostra onde vale a pena começar. Um time com o dobro da média da empresa merece atenção antes de qualquer programa geral.

Ouça as pessoas com frequência. A pesquisa anual de clima chega tarde para um problema que se instalou em poucos meses. Uma pesquisa curta e frequente mostra a queda de bem-estar, de satisfação com a liderança ou de equilíbrio entre vida e trabalho enquanto ainda dá tempo de agir. Em pesquisa pulso ou pesquisa anual há a comparação entre os dois formatos.

Prepare os gestores para a conversa. O líder direto costuma ser o primeiro a perceber mudanças no comportamento de alguém do time. Conversas de one on one regulares abrem espaço para falar de carga de trabalho e de dificuldades pessoais antes que elas virem faltas. Treine os gestores para acolher a pessoa, sem receber cada atestado com desconfiança.

Revise a carga e a organização do trabalho. Metas que só fecham com horas extras, escalas apertadas e falta de pausas aparecem no absenteísmo semanas depois. Redistribuir demandas e reforçar equipes subdimensionadas resolve mais do que campanhas de presença.

Cuide da saúde física e mental. Ergonomia, acesso a atendimento psicológico, programas de saúde e orientação sobre o uso dos benefícios ajudam a prevenir afastamentos. Em bem-estar no trabalho há iniciativas para começar, e o guia de saúde mental no trabalho mostra os sinais de burnout que aparecem nas equipes antes dos afastamentos.

Ofereça flexibilidade onde a função permite. Banco de horas, horário flexível e a possibilidade de trabalhar remotamente em alguns dias evitam que uma consulta médica vire uma falta de dia inteiro.

Prêmios por assiduidade e punições mais duras costumam reduzir a falta registrada sem tratar a causa, e podem aumentar o presenteísmo, com pessoas trabalhando doentes para não perder o bônus. Se a empresa optar por esse caminho, vale acompanhar o bem-estar das equipes no mesmo período.

Como a TeamCulture ajuda a entender o absenteísmo

A taxa de absenteísmo vem do ponto e da folha de pagamento. O motivo por trás dela aparece quando a empresa ouve as pessoas, e é aí que a TeamCulture atua. No módulo de Engajamento, a pesquisa contínua acompanha dez pilares de clima, entre eles o de Bem-estar, que reúne saúde física, bem-estar mental e equilíbrio entre vida e trabalho.

Com as mesmas respostas, sem perguntas adicionais, a plataforma calcula também o Índice de Burnout, que funciona como um alerta antecipado de esgotamento, e o pilar de Riscos Psicossociais, baseado no questionário COPSOQ-III, com oito fatores como ritmo de trabalho, clareza de papel, suporte social, justiça e assédio. Quando um fator entra em risco alto, gestores e RH são avisados e podem abrir um plano de ação com responsável, prazo e o indicador de partida. Esses dados também apoiam o trabalho da NR-1 feito com a equipe de SST.

Na Sicredi Ouro Verde, cliente da TeamCulture, esse acompanhamento é feito junto com a área de segurança do trabalho e qualidade de vida. Em webinar com a TeamCulture, Daniela Uliana, assessora de Pessoas e Cultura da cooperativa, contou que acompanha os pilares ligados a risco de burnout e saúde e que, quando surge um sinal, repassa ao colega responsável para investigar. Com esse cuidado ao longo do ano, quando chegou a pesquisa anual, “nós já não tivemos surpresas”, disse ela.

Módulo de Engajamento

Saiba o que o time sente em tempo real e aja antes que vire saída

Pesquisa contínua com os 10 pilares do engajamento, comparação entre áreas e planos de ação.

Conheça o módulo de Engajamento →
Relatório dos 10 pilares do engajamento na TeamCulture

Perguntas frequentes

Atestado médico conta como absenteísmo?

Sim. A ausência por doença comprovada é justificada e não pode ser tratada como falta injustificada, mas as horas continuam fora do trabalho e entram na taxa. Muitas empresas separam o indicador por tipo de ausência para enxergar quanto vem de atestados e quanto vem de faltas sem justificativa.

Férias e licenças entram no cálculo do absenteísmo?

Não. Férias, folgas da escala e licenças programadas, como a licença-maternidade, já estavam previstas no planejamento e ficam fora tanto das horas perdidas quanto das horas planejadas. Os afastamentos por doença entram, embora muitas empresas acompanhem os mais longos em um indicador separado.

Qual a diferença entre absenteísmo e turnover?

O absenteísmo mede as ausências de quem continua na empresa, e o turnover mede a saída de pessoas. Os dois costumam caminhar juntos: o aumento de faltas em uma equipe muitas vezes antecede pedidos de demissão.

O que é presenteísmo?

É quando a pessoa está no trabalho, mas sem condições de render por doença, cansaço ou preocupação. Ele não aparece na taxa de absenteísmo e é percebido melhor por pesquisas de bem-estar e pelas conversas com o gestor.

Falta injustificada pode ser descontada?

Sim. O dia não trabalhado sem justificativa pode ser descontado do salário e, pelo artigo 6º da Lei nº 605/1949, a pessoa também perde a remuneração do descanso semanal ligado à semana em que faltou. Antes de aplicar descontos ou medidas disciplinares, vale alinhar a política com o jurídico e com a convenção coletiva da categoria.

Com que frequência acompanhar o absenteísmo?

O mais comum é acompanhar todo mês, por área e por gestor, e comparar com o mesmo período do ano anterior para descontar efeitos de sazonalidade, como épocas de mais gripes ou de picos de demanda.

Plataforma TeamCulture

Quer transformar a gestão de pessoas na sua empresa?

Conheça a plataforma que devolve 50% do tempo gasto em tarefas operacionais.

Agende uma demo Demonstração ao vivo, sem compromisso
Tela de clima da plataforma TeamCulture
Engajamento Gestão de Pessoas

Compartilhe este artigo

Receba insights sobre gestão de pessoas

Artigos, guias e novidades direto no seu e-mail. Sem spam.

Quer ver na prática?

Preencha seus dados e agende uma demonstração personalizada da plataforma.

Ao preencher o formulário, concordo em receber comunicações de acordo com meus interesses. Ao informar meus dados, eu concordo com a Política de Privacidade.